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Macas do Samu ficam retidas em hospitais e impedem 2,1 mil atendimentos em Manaus em 2026, diz Defensoria Pública

Retenção de macas deixa ambulâncias inoperantes. Luiz Felipe Santos/DPE-AM A retenção de macas e equipamentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)...

Macas do Samu ficam retidas em hospitais e impedem 2,1 mil atendimentos em Manaus em 2026, diz Defensoria Pública
Macas do Samu ficam retidas em hospitais e impedem 2,1 mil atendimentos em Manaus em 2026, diz Defensoria Pública (Foto: Reprodução)


Retenção de macas deixa ambulâncias inoperantes. Luiz Felipe Santos/DPE-AM A retenção de macas e equipamentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) impediu 2.124 atendimentos médicos em Manaus entre 1º de janeiro e 21 de setembro de 2026, segundo dados apresentados à Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). O problema foi constatado pela Defensoria durante uma visita técnica à Central de Regulação do Samu e uma inspeção no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul da capital, na quinta-feira (24). No hospital, a equipe encontrou quatro macas do Samu retidas. Uma delas estava no local havia quase três horas no momento da inspeção. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp 🔎 A retenção ocorre quando hospitais ficam com macas que pertencem às ambulâncias do Samu. Os equipamentos podem ser usados temporariamente como leitos nas unidades de saúde. Com isso, as ambulâncias ficam paradas e não conseguem atender outras ocorrências. Agora no g1 Segundo o defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), a retenção é proibida por uma legislação estadual que determina a liberação imediata dos equipamentos usados pelas ambulâncias. A Defensoria vai analisar as medidas que poderão ser adotadas após a inspeção. “Uma maca retida é uma ambulância parada, que não pode realizar um atendimento dentro do tempo razoável d.e espera da população”, afirmou. Samu aponta impacto no atendimento O gerente técnico do Samu, Eduardo Fernandes, explicou que o problema pode afetar principalmente a região atendida pelas ambulâncias que ficam paradas. Nesses casos, equipes de outras áreas precisam ser deslocadas para atender as ocorrências, aumentando o tempo de resposta. "Infelizmente, a gente se depara com essa realidade que é persistente. [...] Se uma base que atende uma determinada região no Norte da cidade fica com três, quatro, cinco ambulâncias sem poder atender porque os materiais estão retidos numa unidade de urgência, aquela população que vive naquela área fica toda prejudicada", explicou. Os dados apresentados à Defensoria mostram que, nas 2.124 ocorrências registradas neste ano, os equipamentos ficaram retidos por cerca de uma hora e meia, em média. Ao todo, foram 3.431 horas de inoperância de pelo menos uma ambulância. "Esse é um prejuízo grande para toda a nossa população, tendo em vista que o Samu é o responsável pelo atendimento pré-hostalar e um dos seus principais indicadores é exatamente o tempo de resposta", disse o gerente técnico. Um levantamento anterior da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), referente ao período de julho de 2025 a junho de 2026, registrou 1.623 ocorrências de retenção de equipamentos do Samu. Na época, o tempo médio de retenção era de 1 hora e 42 minutos. O HPS 28 de Agosto concentrava 41,8% dos registros, seguido pelo HPS João Lúcio, com 39,1%, e pelo HPS Platão Araújo, com 12,6%. Problema persiste DPE-AM e SAMU se reuníram para discutir questão da retenção de macas em hospitais de Manaus. Luiz Felipe Santos/DPE-AM A Defensoria informou que havia enviado ofícios aos órgãos responsáveis e recebeu, em julho, respostas das organizações sociais que administram os hospitais 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo. Segundo Arlindo Gonçalves, as instituições informaram que haviam comprado equipamentos para evitar a retenção de macas. Durante a inspeção, porém, a Defensoria encontrou equipamentos do Samu retidos no HPS 28 de Agosto. O defensor afirmou que os equipamentos comprados pelas organizações sociais seriam usados para substituir materiais dentro dos hospitais, e não para ampliar a capacidade das unidades diante do aumento da demanda. "As Organizações Sociais informaram que adquiriram insumos para evitar a retenção, porém, vimos in loco que o problema persiste", afirmou. O caso é acompanhado por meio de um Procedimento Coletivo instaurado pela Defensoria. Segundo Arlindo Gonçalves, o órgão vai avaliar a situação nos demais hospitais e as medidas que poderão ser adotadas. Ainda de acordo com a Defensoria, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) não respondeu aos questionamentos enviados após a inspeção. O g1 também entrou em contato com a secretaria, mas até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.